
Mais do que as excelentes críticas que têm recebido, o facto de fazerem uma digressão nacional com esta dimensão e visibilidade é a prova de que a qualidade dos Wraygunn está a ser reconhecida e é bom ver que uma banda de rock está, no nosso país, a conseguir o que merece.
Ontem foi no Porto, no Cinema Batalha, espaço recentemente reaberto e renovado. O concerto foi patrocinado pela Optimus, que não deixou ninguém impune à sua forte campanha de marketing: jornais, camisolas e panfletos foram distribuídos à entrada. Antes do início do espectáculo, houve ainda uma divertida exibição de stand-up comedy protagonizada por João Seabra.
O concerto começou com a sala bem composta e entuasiasma e a partir daí foi sempre a subir: a banda, cada vez mais dedicada de corpo e alma ao seu brilhante rock and roll, encontrou sempre, durante quase duas horas, um público que lhe correspondeu com igual interesse.
Paulo Furtado, Raquel Ralha, Selma Uamusse, Sérgio Cardoso, Francisco Correia, João Doce e Pedro Pinto. São eles que formam este septeto fantástico e são eles (com o resto da equipa de digressão, obviamente) os responsáveis pelo espectáculo de alto gabarito que andam a apresentar por este país fora. Tudo corre bem, ninguém fica desiludido, a música é boa e é-nos mostrada em óptimas condições, com todos os músicos em grande forma. Sente-se o rock, salta-se o punk, dança-se a soul, delicia-se o blues. Há muito para partilhar e viver durante a actuação dos Wraygunn.
A banda interpretou principalmente temas do recentemente aclamado "Shangri-La" (2007), sendo que "Eclesiastes 1.11" (2004) teve também uma boa representação e de "Soul Jam" (2001), se bem me lembro, apenas foi aproveitado o tema "Ain't Gonna Break My Soul". A meu ver, o momento mais intenso da noite foi a interpretação do tradicional canto gospel "No More, My Lord", onde se cria um ambiente que chega a ser arrepiante e onde as vozes femininas da banda mostram uma enorme capacidade.
Como é costume nos concertos que dão na cidade invicta e arredores, os Wraygunn contaram com a participação de Pedro Vidal (Blind Zero, Hot Rods) e da sua pedal steel guitar para abrilhantar um pouco mais alguns momentos do concerto. Claro que houve ainda tempo para a habitual passeata de Paulo Furtado, que viajou por cima de colunas, pelo meio do público e subiu ainda, ao fundo da sala, para a zona do balcão. O incansável frontman da banda de Coimbra exibiu ainda os seus dotes de manipulação de uma invulgar máquina.
Como diz o ditado "quanto mais se tem, mais se quer" e o público exigiu o adiamento do final do espectáculo por duas vezes, estando a banda já preparada para isso. No final, não podia faltar a já famosa versão do tema "You Really Got Me", original dos britânicos The Kinks.
Coliseus, até breve!
WRAYGUNN
CINEMA BATALHA
29/03/2008
É possível (re)ver este concerto aqui.































































